Ao se trabalhar com demandas de saúde mental, corre-se o risco de ser atravessado pela experiência de perder um paciente, o que vai contra as regras postas para os profissionais da saúde.
As estatísticas da AFSP são corroboradas pelo estudo de ROTHES, HENRIQUES e CORREIA (2013), visto que trazem que 27% dos profissionais de sua pesquisa perderam um paciente por su1cídi0, sendo 44% dos psiquiatras, 36% dos médicos gerais e 20% dos psicólogos.
Muitos deles tendo relatado sofrimento emocional, psicológico e insegurança em sua prática. Fazendo-os redobrar suas atenções nas avaliações e intervenções para essa demanda, porém, a insegurança e incerteza relatadas aparecem como um fator comprometedor desse processo.
PONTOS DE MELHORIA…
Dentro dos serviços e possibilidades disponíveis, as que se demonstraram mais úteis para esses profissionais, foram:
-Supervisão de casos;
-Revisão do caso em equipe;
-Apoio de colegas;
-Comunicação com a família do paciente.
PODEMOS IR ALÉM…
Um aspecto muito importante foi relatado por esses profissionais que perderam um paciente: 53% deles relatou ter sido pouco previsível a tentativa de seu paciente, assim como, 35% consideraram não ser possível prevenir que a morte ocorresse. Esses números levantam que:
-Existe uma descrença nas intervenções;
-Os fatores de risco possuem baixo fator preditivo;
-Carência de evidência para estratégias de prevenção.
Essas opiniões são decorrentes da falta de preparado nas graduações de saúde, pouco investimento na educação continuada e na saúde mental desses profissionais. O que é evidente por 98% de todos os profissionais não ter apoio institucional para casos de perder um paciente para o su1cídi0.
RESTANDO A PERGUNTA…
Quem cuida de quem cuida de nós?
REFERÊNCIA:
Rothes, I. A., Henriques, M. R., & Correia, R. S. (2013). Suicídio de um paciente: a experiência de médicos e psicólogos portugueses. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 31(2), 168-178.


