Os psicólogos estão preparados para demandas de ideação suicída?

Recentemente, numa postagem do Vita Alere, me deparei com a atualização dos números de morte por suicídio nos anos de 2021-2022, retirados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2022). Infelizmente, houve aumento de 11,8% nas taxas de morte por suicídio.

Esses números representam a carência de politicas públicas na prevenção do suicídio.

O alarde do aumento das mortes por suicídio não é de agora. O Ministério da Saúde (2021), realizou um estudo descritivo entre os anos de 2009 e 2019, com base nos dados do Sistema Integrado de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), de maneira a declarar que nos últimos 10 anos houve um aumento de 43% das mortes por suicídio no país, totalizando 112.230 mil mortes por suicídio notificadas, já que podem sofrer subnotificação, sejam pelas burocracias decorrentes ou estigmas e preconceitos ligados a essa morte em específico.

E enquanto psicólogos atuantes nesse contexto, Será que estamos preparados para atuar frente essa demanda ?

Por ser um mero post, a intenção dele é mais provocativa, até pela profundidade da pergunta, sua resposta requer um trabalho mais extenso.

Contudo, existem alguns apontamentos, já que essa foi uma das perguntas que me fiz no “TCC”.

No meu “TCC”, busquei compreender os estigmas e conhecimentos da comunidade e profissionais da saúde em relação ao fenômeno do suicídio, para isso, utilizei duas escalas. Logo, ficou um trabalho extenso, muito difícil de resumir em um post. Mas se filtrarmos os dados dele, é possível fazermos algumas reflexões.

Quanto a escala que pretendia avaliar o conhecimento, a comunidade que respondeu a pesquisa obteve média de acerto no geral da escala de 62% e os psicólogos 63,64%.

Dentro da pesquisa também constavam médicos com média de 78,30% e enfermeiros com 66,20%, isto é, dentro dos profissionais da saúde, os psicólogos demonstram as maiores lacunas de conhecimento.

O fato se agrava ao aprofundar essa média dos psicólogos entre as categorias de conhecimento e perguntas especificas.

Uma das perguntas com baixo acerto foi a: Alguém que já tentou suicídio sempre será propenso a morrer por suicídio e sempre terá pensamentos suicidas. (F)-Os psicólogos tiveram 14% de acerto nela.

Não apenas os psicólogos demonstraram dificuldades quanto as questões sobre o suicídio, visto que na pergunta: Homens são mais propensos a morrer por suicídio do que as mulheres. (V)- Nenhuma classe dos profissionais da saúde ultrapassou 60% de acerto.

Por se tratar de um “TCC”, existiram muitas dificuldades, entre elas os vários “não” que tive de instituições religiosas e serviços de saúde sobre o compartilhamento da pesquisa. Bem como, a baixa amostra para as devidas generalizações. Também há o viés de resposta que não pode ser descartado, já que a pesquisa foi feita por um questionário online.

Apesar disto, a principal intenção do trabalho foi de compreender a forma como o estigma e conhecimento sobre o suicídio estão presentes na população, ainda falta muito a ser pesquisado e, como a pesquisa demonstra, muito a ser feito.

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