BUSCAR A EXCELÊNCIA NÃO É SER PERFEITO

O QUE É O PERFECCIONISMO?

O perfeccionismo é um impulso para fazer mais, conquistar mais, ser mais e provar a si mesmo. Em que qualquer coisa que seja um pouco destoante desse ideal, é considerada inaceitável. Erros, equívocos e incertezas não são admitidas, nem para si e nem para os outros. Nessa tentativa, a pessoa passa a tentar controlar tudo e todos para atingir suas metas elevadas de perfeição, tornando-se muito crítico consigo e com outros.

Na nossa cultura, tendemos a tratar o perfeccionismo como uma qualidade. Isso nos leva a tentar desempenhar perfeitamente em diversas áreas da vida — inclusive nos momentos de lazer.

Contudo, o perfeccionismo pode ser uma armadilha.

Tentar ser perfeito nos leva a criar metas e objetivos altos demais para o nosso momento atual — ou até mesmo totalmente inalcançáveis.
Quando colocamos metas irreais, o insucesso se torna inevitável. Ainda assim, muitas vezes não percebemos isso. Seguimos depositando esforço e tempo na tentativa de chegar perto dessa meta. Quando não conseguimos, nossa autoestima entra em questionamento, e começamos a nos depreciar por não ter concluído algo que, na verdade, era impossível desde o início.

Percebeu a armadilha?

Traçamos metas inalcançáveis, nos esforçamos, não atingimos, e por fim, nos julgamos como incapazes. Ou pior: até conseguimos concluir a meta, mas não sentimos satisfação ou orgulho — não temos a sensação de dever cumprido.
Sem olhar para o processo e sem uma autocrítica construtiva, esse padrão leva a mais autocobrança. E, no futuro, aumentamos ainda mais nossa exigência, entrando em um ciclo de sofrimento.

Esse ciclo pode ser agravado por comparações constantes nas redes sociais ou pela busca de validação em frases como: _“olha como fulano se esforça”_. Em alguns casos, nem queremos começar um novo hábito, porque acreditamos que só vale a pena se for feito com perfeição. Quando isso acontece, nos depreciamos novamente e nos rotulamos como procrastinadores.

Neste ponto, por debaixo de todo esse esforço em ser perfeito, existe uma crença de inadequação e insegurança. Em conjunto com essa crença, o perfeccionista se engaja em atitudes compensatórias, por isso os sucessos e realizações não são comemorados, pois são enxergados como obrigações devido serem imperfeitos, na tentativa de sentir-se seguro, adequado e no controle. Não demonstrando vulnerabilidades, medos, inseguranças e fraquezas para não ser julgado.

O erro é visto como uma evidência que prova da inadequação!

Por muitas vezes, a pessoa acaba fugindo de começar novos hábitos e oportunidade, por querer ficar no conhecido e no que ele se julga bom. Trocando o risco pela consistência, por mais sofrimento que ela gere.

O perfeccionismo pode fazer com que a pessoa tente controlar tudo — como se isso fosse possível. A ideia é: “se eu controlar todos os detalhes, tudo sairá como o planejado e, então, serei perfeito”. Mas a realidade não funciona assim. A vida é, por definição, incerta e feita de probabilidades — e não de garantias.

 

Como o Perfeccionismo é presente na sua vida?

 

Perfeccionismo pode ser óbvio ou subliminar. Às vezes, por impactar somente algumas áreas, ele é mais dificilmente reconhecido.
Podendo também ser confundido como uma responsabilidade e dedicação, como uma obrigação em ter de ser algo.
O perfeccionismo pode ser fonte significativa de sofrimento emocional, especialmente quando se manifesta de maneira rígida e autocrítica.

 

HEWITTR AND FLETT (1991) DEFINIRAM 3 TIPOS DE PERFECCIONISMO
Independente de qual seja, o padrão é ter altas metas irrealistas, crenças rígidas e alto criticismo em relação a si mesmo e outros.
As pessoas podem ter um ou todos os 3.

 

Perfeccionismo Autodirigido (Self-Oriented Perfectionism)

A pessoa estabelece para si mesma padrões extremamente elevados, muitas vezes irreais. É como se nada do que ela faz fosse bom o suficiente. A cobrança vem de dentro, e o foco está em corresponder a um ideal interno de perfeição. Esse tipo de perfeccionismo está fortemente ligado à autocrítica, sentimentos de fracasso e baixa autoestima. Mesmo quando realiza algo com qualidade, a pessoa não se permite sentir satisfação — pois sempre acredita que poderia ter feito mais ou melhor. Na prática clínica, é comum que esses indivíduos relatem pensamentos recorrentes como: “eu deveria ser melhor” ou “se eu errar, significa que sou um fracasso”.

 

Perfeccionismo Orientado ao Outro (Other-Oriented Perfectionism)

A exigência de perfeição é projetada para os demais. A pessoa espera que os outros ajam conforme seus altos padrões, o que pode gerar frustração constante, impaciência e conflitos nos relacionamentos. Esse tipo de perfeccionismo costuma aparecer em ambientes onde há controle excessivo, como em relações parentais rígidas ou lideranças autoritárias. Aqui, a dificuldade está em aceitar os erros e limitações dos outros — o que compromete o vínculo interpessoal e alimenta uma visão crítica do mundo. Expressões como “ninguém faz as coisas direito” ou “não posso confiar nos outros para fazer bem feito” costumam refletir esse funcionamento.

 

Perfeccionismo Socialmente Prescrito (Socially Prescribed Perfectionism)

O sofrimento está centrado na percepção de que os outros esperam perfeição. A pessoa sente que precisa ser impecável para ser aceita ou valorizada. Existe uma constante preocupação com o julgamento alheio e uma sensação de que qualquer falha será punida com rejeição. É comum que esse tipo de perfeccionismo esteja associado à ansiedade social, insegurança e quadros depressivos. Muitas vezes, o indivíduo nem sabe se essas expectativas externas são reais ou imaginadas — mas vive como se fossem absolutas. Frases como “não posso decepcionar ninguém” ou  “as pessoas só me respeitam se eu acertar sempre”, revelam essa dinâmica.

 

Consequências do perfeccionismo

 

Estresse

As coisas vão bem quando você conquista seus objetivos e a vida sai como planejada. O último não ocorre com tanta frequência.
Entretanto, o perfeccionista está acostumado a sacrificar valores e demandar muito de si para trabalhar duro e cuidar de suas obrigações irrealistas, de forma a colocar muita pressão emocional e psicológica em si mesmo.
Perceba, não é uma ação esporádica para alcançar algo, mas sim um modo de enxergar e lidar com a vida.

Alguns sinais e sintomas podem começar a aparecer, a exemplo, dores corporais, insônia, problemas com sono, problemas gastrointestinais, tensão muscular, baixa energia, ansiedade, depressão e explosões de emoções.

O excesso de estresse pode gerar desregulação emocional quando experimentar raiva, frustração e desapontar-se consigo ou outros, muitas vezes, tentando se utilizar da supressão ou esquiva experiencial para evitar sentir essas emoções.

Ou você pode seguir o caminho oposto, tornando-se completamente insensível, lidando com a situação ignorando, distraindo ou entorpecendo-se para evitar sentir as coisas que geralmente estressam você.

Ambas formas de lidar, apenas pioram os problemas e criam novos.

 

Perda de oportunidades

Ocorrem perdas por medo.
Deixar de fazer tarefas e novos comportamentos por medo da falha, rejeição, criticas e não ser bom, apesar de ter a consciência de serem grandes realizações, o medo afasta.

Permanecemos na zona de conforto, por medo. Onde ganhamos elogios e somos bons, por já estarmos acostumados, mesmo que a permanência traga infelicidade e insatisfação.

Vale relembrar, que no perfeccionismo, o valor pessoal depende da performance!

Por tentar controlar tudo, não existe tolerância para a incerteza. Não existindo espaço para o crescimento, criatividade, erros e crescimento pessoal.

 

A MÃO OPOSTA: EXCELÊNCIA

Seu propósito é se esforçar com saúde para ser excepcional. Promovendo crescimento pessoal de acordo com as circunstâncias presentes.
Permite erros, imperfeições e reajustes, existindo mais perdão.
Existe um aprendizado com cada erro. Dando o melhor de si a cada momento e devido a cada circunstância presente. Oferecimento de perdão e compaixão consigo mesmo e com outros ao seu redor. Já que todos estamos fazendo o melhor que podemos a cada dia.

 

Como buscar a excelência sem cair na armadilha do perfeccionismo?

A excelência parte de um motivo claro para agir. Não é sobre nunca errar, mas sobre buscar ser melhor a cada vez, aprendendo com erros e acertos.

Trata-se de um processo de aprendizado e crescimento. Cada erro se transforma em uma oportunidade de ajuste e evolução.
Ao definir expectativas realistas e flexíveis, é possível falhar sem se afastar dos seus objetivos. Isso permite engajamento genuíno com o hábito, sem que as falhas se tornem motivos para desistência.

Com esse olhar, paramos de tratar erros como catástrofes. E nossa autoestima deixa de depender da perfeição: ela passa a se apoiar na capacidade de aprender e se desenvolver continuamente.

 

Como começar?

Uma estratégia simples e eficaz é utilizar o modelo de metas SMART:

  • S – Específica
  • M – Mensurável
  • A – Atingível (considerando sua realidade atual)
  • R – Relevante (alinhada com seus valores)
  • T – Temporal (com um prazo definido)

Ao se abrir para a realidade e entender que certos comportamentos são necessários para alcançar seus objetivos, você começa a construir um repertório saudável, sendo justo consigo mesmo e ajustando sua rota sempre que necessário.

Avaliando, passo a passo, se suas ações estão te aproximando de um objetivo possível, você desenvolve consistência sem se perder em exigências irreais.

Afinal: melhor feito do que perfeito!

 

Caso queira uma avaliação ou trabalhar na psicoterapia seu perfeccionismo, só entrar em contato comigo!

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